Jardins da Quinta Real de Caxias

Jardins da Quinta Real em Caxias

No panorama da Arte dos Jardins em Portugal, o jardim do Paço Real da Caxias pode ser considerado como um exemplar único, não tanto pela sua organização espacial comum a muitos outros jardins, mas sim pelo valor arquitectónico, escultórico e alegórico do conjunto da cascata, miradouro e grupos escultóricos. Estes elementos são valorizados pela esplanada que os canteiros de buxo definem, pelo que o jardim tem que ser entendido como um todo, organizado e interdependente.

Jardins da Quinta Real em Caxias

Propriedade da Casa do Infantado, a Quinta Real de Caxias, com o respectivo palácio, foi mandada edificar na primeira metade do séc. XVIII pelo Infante D. Francisco, filho de D. Pedro II e D. Maria Sofia de Neuborg, prolongando-se a sua construção até ao início do séc. XIX. Das obras da 2a metade do séc. XVIII datam a construção da Cascata monumental e organização do jardim, bem como os grupos escultóricos em terracota da autoria de Machado de Castro (1731-1822), considerado o maior escultor português da época.

Jardins da Quinta Real em Caxias

O conjunto dos jardins e Quinta real sofreu várias fases de construção, tendo a propriedade aumentado por sucessivas incorporações de outros casais, unificando as várias parcelas primitivamente separadas por muros.
Situado mesmo à beira-mar, este pequeno Jardim Le Nôtre, como Branca Colaço o classifica nas suas “Memórias da Linha de Cascais”, é bem um exemplo da sofisticada vida social do Séc. XVIII. A moda do Jardim Francês e a grandiosidade e espectacularidade dos jardins do padre de Versailles, concebidos pelo grande mestre André Le Nôtre, especialista de jardinagem do Rei Sol, Luís VIX, foi copiada e imitada por todas as Cortes Europeias da época.
Toda a pompa dos salões é transferida para os jardins, através de geometrismos e de uma rigorosa oposição de cenários e elementos escultóricos, arquitectónicos e naturais (estátuas, pavilhões, palmeiras e araucárias). O Jardim transforma-se num agradável espaço onde os jogos e os espectáculos de índole cultural, como o teatro, música ou o bailado desenrolavam-se como em autênticos salões ao ar livre, podendo desfrutar-se de vistas sobre a entrada da Barra de Lisboa, do Bugio e das várias fortalezas como a de S. Julião.

 

info: Quinta Real de Caxias – Restauro do Património Escultórico, Carlos Beloto, Filomena Serrão, Filipa Thedim e Maria Isabel Soromenho, Câmara Municipal de Oeiras, 2009

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